Reflexões sobre manifestações e a falta de empatia na sociedade...

Estou há dias tentando decidir o tema do post de hoje... e não por falta de opção, mas simplesmente porque eu não consigo encontrar nada que seja adequado para dizer em meio ao momento no qual estamos vivendo.

Se você não sabe do que eu to falando, você provavelmente passou os últimos dias em outro planeta! Porque até mesmo a mídia internacional vem cobrindo a onda de protestos e manifestações que se instalou em nosso país tropical abençoado por Deus nos últimos dias.
E como todo mundo tem algo a dizer, e o blog é o pedacinho que eu tenho para expor a minha voz no mundo, agora é a minha vez:

Para contextualizar, os preços das passagens de transportes públicos foram reajustadas (para mais, claro!) e  em alguns lugares pessoas se organizaram para protestar contra as tarifas abusivas, má qualidade do setor, etc. Após cenários de abusos policiais, intransigência por parte dos políticos e casos de violência (de ambas as partes), o movimento tomou força e deixou de ser "só por 20 centavos", e sim uma luta contra a corrupção e a favor de mudanças substanciais na educação e na saúde pública. Muitas outras cidades também "aderiram" ao movimento (inclusive brasileiros no exterior), que levou na noite de ontem cerca de 250 mil pessoas às ruas em todo o Brasil. O Congresso Nacional foi tomado por manifestantes; o Palácio do Governo de SP teve portões arrombados, assim como a Assembléia Legislativa do RJ.

Congresso Nacional, em Brasília, tomado por manifestantes
Av. Paulista foi um dos focos de protestos em SP

Há dias, tudo o que eu vejo no meu Facebook são mensagens como "O Gigante acordou", "O Brasil mudou seu status de 'deitado eternamente em berço esplêndido' para 'Verás que um filho teu não foge à luta'", "Saímos do Facebook" ou "Desculpem o transtorno, estamos mudando o país".



O que eu penso: Eu sou jornalista (diplomada, caso isso faça alguma diferença ainda), e é óbvio que sou à favor da liberdade de expressão, de movimentos políticos que tenham como objetivo um país melhor, e da luta contra qualquer uma das coisas que estão erradas em nosso país continental.

Mas acima de qualquer profissão, de tudo, sou um ser humano: não sou à favor de violência e nem de atos de vandalismo (mas quem é?!), e também não gosto da ideia de limitar a locomoção de pessoas quando se luta - dentre outras coisas - por transporte público e mobilidade. Mas moro em Guarulhos, fiz faculdade em São Miguel Paulista e já trabalhei no Jaguaré, Moema e atualmente estou na Av. Paulista; já enfrentei 5, 6 horas diárias em ônibus, metrô e trem, muitas vezes em horário de pico, e não tem como não simpatizar ou ser à favor da causa.
Também apoio a redução de salários e privilégios para políticos, a educação igual entre instituições privadas e públicas,  um sistema de saúde público que consiga salvar vidas e não acabar com elas, condições de saneamento básico e moradia para todos, a erradicação dos vícios, da violência, da fome, da pobreza e da miséria. Ufa!

Como ser humano, tenho ainda o objetivo de ser uma pessoa melhor, de fazer o bem, de fazer a minha parte. E o que eu mais acredito é que as mudanças mais profundas acontecem de dentro pra fora.
Aproveito então esse momento de movimentação intensa em prol de uma sociedade justa, para compartilhar algumas reflexões:
A sociedade só muda, de fato, quando a mentalidade de seus membros mudar. Eu sei que é cultural, eu sei que não é do dia pra noite e nem que todo mundo vai concordar com isso, mas do que adianta tanta luta se no fim do dia as pessoas ainda vão dar "aquele jeitinho" pra conseguirem o que desejam?
Não falo só de coisas grandes, como burlar leis, sair impune de crimes ou desviar dinheiro do que quer que seja. Falo daquelas pessoas que querem tirar vantagem de tudo, que passam na sua frente na fila do ônibus, que conseguem um "esqueminha" pra entrar de graça em algum lugar e ficam se gabando porque "todo mundo pagou menos eu", que passam a perna em você para ser promovido no emprego.
Falo, ainda, daqueles que bradam "Que orgulho. Estou fazendo a minha parte. Vem pra rua!", mas que quando se deparam com a oportunidade de ajudar a quem precisa (e olha que nesse país o que mais tem é gente que precisa!), falam "o governo está aí pra isso, ninguém me ajuda a pagar meus impostos, eu não vou ajudar ninguém" (juro que já ouvi isso diversas vezes!).
Falo também da necessidade de ser caridoso, de sentir empatia, de se colocar no lugar do outro e se perguntar como você se sentiria naquela posição.



O país precisa de mudanças, precisa de manifestos, de luta, de gente nas ruas.
Mas acredito que, mais do que tudo, que o país necessite de amor. Amor não só pela sua família, por seus amigos ou seus vizinhos, mas por todos. Porque se queremos viver num país justo, todos devemos nos sentir iguais e agir como tal.


Em tempo: dia 21, às 16h, tem manifestação em Guarulhos, minha Terra Natal. A concentração é em frente à igreja Matriz e o destino é a Av. Paulo Faccini. Está na hora de a cidade se posicionar socialmente como o gigante que já é economicamente, não?
Muita paz e organização a quem participar do ato!

You can leave a response, or trackback from your own site.

3 Response to "Reflexões sobre manifestações e a falta de empatia na sociedade..."

  1. Oi Mari!
    É muito bom entrar no teu blog e ver a sua opinião, e o melhor, saber que estamos do mesmo lado! rs
    Concordo com certeza quando vc diz que para mudar o país, temos que mudar o nosso jeito de pensar!
    Tem muita gente só fazendo tipo por ai, e isso é o fim do mundo!!
    Apoio a causa e sem violência. Acredito na melhora do nosso Brasil.
    Vc vem pra rua sexta-feira em Guarulhos?
    Beijão!
    http://www.ladomoca.com

    Anônimo says:

    Mari,
    Texto muito bom, como sempre! Parabens.
    Tb siu a favor sim das manifestacoes, e claro sem violencia. Temos sim que nos unir por um pais melhor.
    Roubei uma figura do seu texto pq concordei plenamente com as palavras. Precisamos mudar nos mesmos para depois exigir mudanca dos outros!

    Te amo linda!
    Bjs
    Thali

    Izabel says:

    Mari,
    Você escreveu exatamente o que penso. Sou totalmente a favor de manifestações pacíficas e com foco, objetivo. Infelizmente não é o que vem ocorrendo.
    A mudança deve partir de cada um. Honestidade, respeito e educação nas mínimas coisas.
    Sinto muito orgulho de você. Sensação de dever cumprido por ter contribuído na formação de um ser humano maravilhoso e uma cidadã extremamente consciente e responsável.
    Bjs.

Postar um comentário

Powered by Blogger widgets